A arte de ser simples

outubro 9, 2011

Estabelecer conceitos, etapa fundamental na pesquisa científica, não é tarefa fácil. Exige a realização do estado da arte do tema abordado, uma busca atenta da utilização do termo por determinados autores em contextos específicos e demanda o critério da originalidade.

Durante o I Congresso Regional Europeu da AISV-IAVS http://aisv2011.yolasite.com/ que participei em Lisboa, no período de  26 e 28 de Setembro, a palestra Stratégies du visible: le mimétisme de la cellule à l’homme, do  professor Paolo Fabbri (Università di Venezia), representou, como contribuição para a minha pesquisa,  o ponto alto do evento. Primeiro, pelo conteúdo apresentado. Em segundo lugar, pela facilidade de comunicação, pela capacidade de expressar com simplicidade e profundidade o tema abordado.

Disegno di Valerio Adami (1999)

Sem fugir do tema, o pesquisador apresentou a original ideia de buscar na natureza os conceitos de estratégia, visibilidade/invisibilidade e mimetismo. Mimetismo - camaleãoDe maneira clara e simples, definiu Mimetismo como  o  “mecanismo que é utilizado para explorar e transferir estratégias que entram suavemente para provocar o fenômeno para viver e evoluir junto”. Na mesma linha de raciocínio coerente, estabeleceu como sendo Estratégia “tudo o que conduz a um determinado fim”. Ao fazer referência à tensão entre  visibilidade e invisibilidade, Paolo Fabbri fez a seguinte reflexão: “Os homens e os outros animais se camuflam não somente para se manterem invisíveis mas também para se mostrar quando, com ostentação vistosa, eles assumem os traços de outros humanos ou de outros animais”.

Resta, agora, buscar nesse bom exemplo de  pesquisador experiente, elementos que mostrem pistas de como elaborar com consistência e simplicidade cada conceito, cada etapa, cada capítulo de minha tese.


Un bus multiculturel

outubro 8, 2011

Imaginez un voyage vers des lieux tels que  l´Ile Maurice, le Maroc, le Brésil, la France, le Sénégal, les Caraïbes, le Vietnam ou encore la Chine. Maintenant, pensez à un rendez-vous dans un même bus avec 23 personnes qui représentent ces lieux. Cette expérience, moi je l’ai vécu dans l´après-midi du 7 octobre, quand je me suis retrouvée dans un autobus qui  emmenait  des étudiants étrangers invités à  participer à un pot d’accueil à la Mairie de la ville de Lannion. C’était un moment très important par moi et contrairement aux autres qui allaient rester un ou deux ou quatre ans en Bretagne, moi je devais retourner dans mon pays trois mois plus tard.

Mairie de Lannion

Je n’ai jamais été très motivée pour participer à ce genre d’évènement mais là, il y avait quelque chose de magique. Quand je suis arrivée, le première adjoint du maire, Paul Lebihan, ainsi que  le responsable des activités sportives de la ville, Christian Hunaut, ont ouvert les bras en souriant et je me suis sentie valorisée.   

Malgré certains mots qui étaient loin de nous être familiers, il y avait un silence respectueux et le public était attentif devant les petits discours tenus par les dirigeants.  Vêtu d’un jeans et d’un blazer, le directeur de l’IUT, Philippe Anglade, a dit à voix basse, comme dans un dialogue intime: “Notre préoccupation ce n’est pas le grand nombre de personnes qui arrive  mais la qualité du travail développé  par chacun d’entre eux”. Dans le même esprit, la conseillère municipale, Thérèse Hervé, m´a confié: “Chaque étudiant a une caractéristique propre et j´aime ça!”.

phare de Beg-Léguer - coucher du soleil en reflet sur le phare

De retour au Brésil je garderais l’image de cette cérémonie non solennelle mais très simple qui pourtant pour moi était un moment fort  marqué par la diversité, la richesse culturelle et principalement par les valeurs humaines. Plus d’une fois, j´ai entendu  que vivre sans prétention  et sans préjugés c´est simplement s’enrichir.


Um ônibus multicultural

outubro 7, 2011

Imagine uma viagem que inclui no roteiro lugares como Ilhas Maurice, Marrocos, Brasil, França, Senegal, Caribe, Vietnam, Chile. Agora, pense em um encontro dentro de um mesmo ônibus com 23 pessoas que representam esses lugares. Foi essa a experiência que vivi na tarde de sexta-feira, 7 de outubro, quando me vi dentro de um ônibus que levou à Marie de Lannion estudantes estrangeiros convidados a participar de uma recepção da administração da cidade. Foi um momento marcante para mim que, ao contrário dos demais ocupantes do ônibus, retorno ao Brasil dentro de três meses. Eles irão viver na Bretanha por um, dois, quatro anos.

Lannion

Nunca me senti tão motivada a participar de um evento com esse perfil.  Algo mágico me envolveu. Logo na chegada, o vice-prefeito, Paul Lebihan, e o responsável pelas atividades esportivas da cidade, Christian Hunaut, me receberam com sorrisos e braços abertos. Me senti acolhida, valorizada.

Fichier:Mairie lannion.JPG

A variedade de idiomas parecia nem existir diante do silêncio respeitoso aos rápidos e leves discursos dirigidos a uma platéia atenta, bem-comportada. Vestido de blazer e calça jeans, o diretor do IUT, Philippe Anglade, disse em tom de conversa: “nossa preocupação não é com o número de pessoas que recebemos, mas com a qualidade do trabalho desenvolvido por cada um”. No mesmo nível de percepção, a conselheira municipal, Thérese Hervé, me confessou baixinho: “cada estudante tem uma característica única, gosto disso”.  Lannion: vue du bas des escaliers de Brélévenez. Credit: Aline Follea

Volto para o Brasil com essa imagem de um momento que me marcou pela diversidade, pela riqueza cultural e, principalmente, pelos valores humanos que encontrei em um evento que poderia ser solene, mas foi de pura leveza. Mais uma vez, entendi que viver despretensiosamente e sem preconceitos é simplesmente enriquecedor.


Minha rotina de pesquisadora

fevereiro 27, 2011

Ouvir atentamente as orientações de Denis Ruellan e trocar ideias com Joël Langonné , Olivier Tredan e François Bissege sobre métodos de pequisa são os principais momentos de minha rotina na Université de Rennes 1. Divido com Olivier um escritório com toda a estrutura para organizar as leituras, redigir a tese e treinar o francês.  O ritmo de trabalho é intenso e tudo é muito envolvente e motivante.  Começo a pensar em quem serão os meus entrevistados na França. 

Para desenvolver no doutorado a pesquisa “A celebrização do jornalista: reflexo de uma era midiatizada” resgato experiências vivenciadas no mestrado, realizado na Universidade de Brasília, sob a orientação do professor José Luiz Braga. Recupero, dez anos depois, aspectos metodológicos da pesquisa “Outros falares, outros olhares: os sotaques no telejornalismo e na telenovela”.


Pesquisar com seriedade

fevereiro 27, 2011

Numa sala de reuniões, a apresentação de uma pesquisa em andamento, onze doutorandos e um exemplo de como um grupo de pesquisa funciona. Foi essa a experiência que tive na quarta-feira, 22 de fevereiro, quando participei pela primeira vez de um encontro de doutorandos do Crape (Centre de recherches sur l’action politique en Europe), do Institut de Études Politique - IEP, em Rennes.

Ouvimos o relato de experiência do doutorando Jiangeng Sun, orientando do sociólogo da mídia Erik Neveu, sobre  como os telejornais franceses tratam as questões relacionadas à China. Após a apresentação de Jiangeng Sun, os participantes deram contribuições bem fundamentadas ao trabalho. Foi cumprido o objetivo da reunião: discutir as idéias sobre o desenvolvimento da tese.

A sensação que temos, ao sair de um encontro como esse, é a de que é possível fazer pesquisa séria, de que há muitos estudantes completamente envolvidos com a pesquisa, que levam a sério o ofício,, estão concentrados na definição do problema de pesquisa, no método e no referencial teórico.

É muito enriquecedor, para mim, integrar um grupo como o Crape. Tive a oportunidade, em outro momento, de ver algo parecido no Brasil, quando participei por duas vezes de reuniões do Gris – Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais.

Cito apenas esses dois modelos, mas há muitos outros grupos sérios de pesquisa no mundo. Vale a pena saber quais são para ampliarmos o nosso interesse pelo universo das ideias.


E por falar em pesquisadores sérios…

fevereiro 27, 2011

No próximo dia 28 de abril, dezenas de pesquisadores de vários países vão participar, na Universidade de Brasília, do Mejor 2011- Primeiro Colóquio Internacional  Mudanças Estruturais do Jornalismo,

organizado pela Faculdade de Comunicação da UnB em parceria com o Réseaux d’études sur le Journalisme (Rede de Estudos sobre o Jornalismo – REJ).  Os detalhes estão no link http://www.mejor.com.br/index.php/mejor2011/MEJOR2011.


Nem tudo são flores

fevereiro 7, 2011

A Bretanha é linda, a história viva. Podemos resgatar a história secular contada em cada prédio; na arquitetura das igrejas, a história das religiões; no mar,  rochedos de cor rosa; muitos costumes que nos remetem a tempos idos, como fazer uma pausa no intervalo do almoço, por exemplo; vielas bucólicas e flores, muitas flores.

Mas quando pensamos na realidade contemporãnea, nem tudo são flores por aqui. O sistema de telefonia, consequência de uma política neoliberal adotada em toda a Europa (como no Brasil) não valoriza o cidadão, eu diria que é perversa. Adota mecanismos com estratégias que costumam lesar os consumidores, utiliza métodos pouco confiáveis no tratamento das informações e é extremamente ineficiente.

Há duas semanas, comprei um pacote na  Orange,  considerada a melhor companhia telefônica local. Além das informações atropeladas dos funcionários da empresa, das propagandas pouco claras, o sistema simplesmente não funciona. Até agora, utilizo, por um serviço já pago, apenas o telefone portátil.

Para ativar em minha residência  internet e telefone fixo dependo de um código que me será enviado pelos correios. Parece inacreditável, mas não posso me comunicar por produtos de comunicação, que adquiri, porque a empresa não facilita o processo.


O que é argumentação?

fevereiro 1, 2011

Ter argumentos organizados, justificativa, premissa e conclusão significa ter persolidade argumentativa. Essa é idéia do professor Gilles Gauthier, da Universidade de Laval, Quebec, defendida na conferência “A intervenção jornalística no debate público” realizada em 31 de janeiro, no Istitut d’Etudes Politiques (IEP) de Rennes, na Bretanha.

Especialista em argumentação editorial, Gauthier destacou  que o papel do jornalismo é o de contibuir com o debate público. Para Gauthier, no jornal,  a crônica apresenta uma boa categorização da personalidade argumentativa.  Já no editorial, presume-se que exista uma relação mais imperativa, com  opinião sem justificativa.

Para Gauthier,  uma contibuição para o modo de argumentação é o modelo habermasiano (do alemão Jürgen Habermas) de espaço público, no qual é preciso não somente clareza de opinião, mas também rigor e racionalidade na argumentação.

Na publicacação canadense “Les Cahiers de Journalisme“, Gauthier faz uma análise da  estrutura e dos fundamentos da argumentação editoral.

Para obter mais informações sobre os estudos sobre argumentação desenvolvidos por  Gilles Gauthier, acesse : http://www.com.ulaval.ca/no-cache/departement/personnel/dic/retour-dic/85/nom/gilles-gauthier/.


Uma experiência a ser partilhada

janeiro 24, 2011

Janeiro de 2011 representa uma data que merece um registro especial na minha trajetória acadêmica. Inicio, em Lannion, na região da Bretanha, na França, o doutorado-sandwich, sob a orientação do professor Denis Ruellan. Aqui, me somo aos pesquisadores do Crape (Centre de Recherche Sur L’action Politique en Europe). O estágio tem a duração de um ano e é fruto da parceria da Université de Rennes 1 com a Universidade de Brasília. E conta com o apoio da Capes, que oferece a bolsa do Programa de Estágio de Doutorando no Exterior (PDEE).

Ao longo do ano, colocarei aqui informações sobre minha rotina no IUT, onde está lotada a Université de Rennes 1, em Lannion, e sobre o processo de preparação para o ingresso no doutorado-sandwich. Entendo que é fundamental partilhar a experiência para que outros doutorandos possam conhecer com mais detalhes como fiuncionam os trâmites necessários para vencer todas as etapas que fazem parte do processo. 

Reconheço nesta experiência positiva (que quero ver outros colegas obterem) o incentivo dos  professores da linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília e, com mais proximidade,  da minha orientadora brasileira, Dione Moura.  

A primeira dica que dou aos colegas que pretendem participar do doutorado-sandwich, é que tomem a decisão logo que ingressarem no curso e busquem as informações necessárias, o mais rápido possível, para que nada fique para a última hora. Isso significa estar atento à publicação do edital sobre o processo de seleção do estágio;  antecipar-se na preparação do projeto de qualificação, desde o primeiro semestre; aperfeiçoar-se no idioma do país de destino; acessar com frequência o site da Capes ou do CNPq e conversar com colegas que viveram a experiência.

Para o pessoal de Comunicação, uma sugestão de cidade: Lannion.  Uma cidade de mil anos, onde não existe violência, e mais parece cenário de um conto de fadas.  Nas noites de quinta-feira, podemos assistir à gravação de um programa de entrevistas de uma TV local, feita ao vivo, no centro da cidade.

 Em breve, mais informações.


Em discussão, a indústria das celebridades

abril 19, 2010

Com uma postura clara e incisiva contra a ”indústria das celebridades”, o  ator Pedro Cardoso participou do programa Sem Censura, da TV Brasil.

Pedro Cardoso compôs a mesa do Sem Censura em setembro do ano passado, mas a participação do ator no programa ganhou dois reprises nos três primeiros meses de 2010.

Para Pedro Cardoso, “existe uma indústria no Brasil e no mundo que vive de explorar a vida de pessoas conhecidas”. A fala do ator foi bastante explorada pela entrevistadora Leda Nagle, que comanda o programa e rendeu um bom debate.

Para sustentar os argumentos em defesa do direito à privacidade, o ator fez referência à Constituição Federal  de 1988 e enfatizou que a invasão de fotógrafos à vida pessoal de artistas deve ser levada  ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Faltou, no debate, a discussão sobre a pluralidade de abordagens, tanto de jornalistas quanto  dos  veículos de comunicação.  É importante destacar que existem jornais, revistas, sites, emissoras de rádio e de televisão  com diferentes abordagens, jornalistas  éticos, profissionais que sabem apurar os fatos com fidelidade.

Não se pode generalizar a atitude de repórteres e de veículos de comunicação. Como em todas as áreas profissionais, o jornalismo tem diversidade.


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